Maria da Conceição Bueno nasceu em Morretes, no litoral do Paraná, em 8 de dezembro de 1854 ou 1864. Sua trajetória mistura fatos históricos e relatos populares. Pouco se sabe com precisão sobre sua vida, mas registros apontam que era filha de um imigrante espanhol com uma mulher cabocla. Descrita como parda e de origem humilde, viveu em um período marcado por dificuldades sociais e pouca proteção às mulheres.
Ainda jovem, mudou-se para Curitiba. Trabalhou como lavadeira e, segundo versões da época, enfrentou situações de vulnerabilidade. Gostava de dançar e frequentar bailes populares, onde conheceu Ignácio José Diniz, militar do Exército com quem passou a se relacionar. O relacionamento, segundo relatos históricos, era conturbado.
Na madrugada de 29 de janeiro de 1893, Maria foi assassinada em uma área afastada da antiga Rua Campos Geraes, atual Rua Vicente Machado, no Centro de Curitiba. O crime foi brutal e chocou a pequena cidade da época. Jornais registraram que ela foi encontrada com graves ferimentos no pescoço. Diniz foi apontado como principal suspeito e chegou a ser preso, mas acabou absolvido por falta de provas, o que gerou indignação popular.
Meses depois, durante a Revolução Federalista, Diniz foi morto por forças federalistas. Para parte da população, o desfecho foi interpretado como uma espécie de justiça divina. Com o tempo, a morte de Maria passou a ser envolta em narrativas de fé e devoção.
No local onde ela foi morta, teria sido colocada uma cruz de madeira. O espaço se transformou em ponto de orações. Já seu túmulo, no Cemitério Municipal São Francisco de Paula, em Curitiba, passou a receber visitas frequentes, especialmente no Dia de Finados. Devotos afirmam alcançar graças por meio de sua intercessão, e Maria Bueno passou a ser considerada uma “santa popular”.

Sua história atravessou gerações e ganhou espaço na literatura, no teatro, em radionovelas e produções televisivas. Entre registros históricos e elementos de lenda urbana, Maria Bueno permanece como uma figura marcante da cultura paranaense — lembrada tanto pela violência que sofreu quanto pela fé que sua memória despertou.






