Nascida no mês de agosto, indo mais a fundo, no dia 26 de agosto de 1958, Marise Manoel nasceu sem saber quem seria e neste meio de vida que ainda vive, podemos dizer, de maneira que poucos entendem: se tornou quem sempre quis ser.
Se ela viveu com muitas paixões, sua família não foi diferente. O pai, apaixonado por política, fazia do discurso uma arte cotidiana e tinha no dicionário seu conselheiro mais fiel; a mãe, naturalmente teatral, transformava qualquer narrativa em encenação. Entre falas contundentes, histórias dramatizadas e o convívio com irmãos ligados à comunicação e ao desenho, Marise aprendeu cedo que a linguagem não era apenas instrumento — era afeto, identidade e possibilidade de criação.

Ainda adolescente, nos anos 1970, as dores, medos e enfrentamentos da ditadura militar ao mesmo tempo em que alimentava a utopia de um país mais justo. Começou a trabalhar muito jovem, na área de recursos humanos de um banco, enquanto estudava à noite e escrevia de madrugada. Pouco depois, deixou o emprego para lecionar durante o curso de Letras (Português/Inglês). Atuou em escolas públicas e privadas, em faculdades e também no Ipardes, onde trabalhou com revisão de textos técnicos e pesquisa socioeconômica, até se aposentar.
Sua formação acadêmica inclui o Mestrado em Linguística/Análise do Discurso pela Unicamp, sob orientação de Eni Orlandi. A dissertação, dedicada a um recorte da obra de Emílio de Menezes, foi publicada anos depois, consolidando seu trânsito entre a crítica, a pesquisa e a criação literária. Mesmo mergulhada na vida profissional e acadêmica, nunca abandonou a poesia — exercitada nas madrugadas, nos cadernos, nas conversas com outros escritores.

A gloriosa década de 80 marcou Marise e ela marcou o mundo! Premiada em concursos literários no Paraná e em São Paulo, participou de movimentos estudantis e festivais que reuniam poesia e música. Em 1988, conquistou o segundo lugar no Festival de Música Brasileira do Estado de São Paulo, realizado na Unicamp, com o poema “Perfil de Sal”, musicado por Mauro Marcondes. Publicou seus primeiros livros individuais, Galo sem Turno (1980) e Perfil de Sal (1983), e integrou coletâneas ao lado de nomes consagrados da poesia brasileira.
Pressões externas ou as famosas “metas editoriais” não estão nem pertos de intimidar Marise. Ela publica quando sente! Foi assim em 2022, após os sentimentos conflituosos da pandemia, reuniu poemas antigos e inéditos no livro Mundéus – poemas escolhidos. O lançamento, em Curitiba, tornou-se um encontro afetivo entre amigos, leitores e companheiros de trajetória, celebrando a permanência da arte em tempos difíceis.
Hoje, distante de grupos fixos, mas ativa nas redes e em encontros literários, Marise segue lendo, escrevendo e dialogando com novas gerações de poetas. Em constante reinvenção, deseja experimentar outras possibilidades de linguagem, tensionar a própria dicção e explorar novas formas de construção poética. Entre o mar e a cidade, entre a docência e a criação, sua trajetória revela uma autora que entende a poesia como exercício de liberdade, uma forma de atravessar o tempo sem jamais perder a inquietação.






