
Nascida em 19 de dezembro de 1926, em Curitiba, Rosy foi a primeira mulher a obter registro profissional de jornalista no Paraná e também a primeira a se filiar ao sindicato da categoria. Em uma época em que mulheres nas redações ainda causavam estranhamento, ela enfrentou preconceitos, rompeu barreiras e abriu caminho para muitas outras profissionais.
Antes do jornalismo, Rosy teve uma promissora carreira como cantora de boleros, iniciada ainda na adolescência, na Rádio Guairacá. Um calo nas cordas vocais interrompeu o sonho musical, mas acabou levando-a a um novo destino. Foi escrevendo que ela se encontrou — e fez história.
Seu primeiro trabalho no jornalismo foi como colunista social do jornal O Dia, em 1948, aos 21 anos. Depois, passou por veículos como Estado do Paraná, Diário do Paraná e revistas culturais e sociais. Mas foi na Gazeta do Povo que construiu um dos vínculos mais duradouros de sua trajetória, com cerca de 40 anos de trabalho.
Na Gazeta, Rosy atuou em diferentes frentes e se destacou como editora de turismo, unindo o amor pelas viagens à escrita precisa e elegante. Mesmo após se aposentar, seguiu frequentando a redação por mais de uma década. Sua mesa permaneceu lá, assim como seu humor ácido, sua inteligência afiada e sua curiosidade pela vida.
Rosy também era conhecida pelo cuidado com as pessoas ao seu redor. Gostava de ouvir histórias, especialmente dos mais humildes, e não hesitava em ajudar quando podia. Por trás da postura firme, havia generosidade, afeto e atenção sincera ao outro.
Apaixonada por viajar, nunca deixou de explorar o mundo, com preferência pela Ásia e por pequenas viagens pelo Sul do país, muitas vezes dirigindo o próprio carro. Tinha gostos marcantes, opiniões fortes e uma relação intensa com a vida — do jeito que também levava o jornalismo.
Rosy de Sá Cardoso deixa um legado que vai além das páginas impressas. Deixa exemplo, coragem e uma história que ajudou a moldar o jornalismo no Paraná. Uma mulher que transformou obstáculos em caminhos e fez da notícia, da crônica e da memória o seu lugar permanente.






