Certamente caro leitor, você já se perguntou: qual meu propósito na vida? Nasci para ser o que ou quem?
Algumas pessoas podem até se perguntar isso, mas no fundo, já sabem… ou melhor, sente! Esse é o caso de Regina Vogue, uma das artistas mais emblemáticas do Brasil. Seu nome é inspiração, nome de teatro e está até na lista de cidadãos honorários de Curitiba.
Nascida no Rio Grande do Sul, passou parte de sua infância na bela Porto Alegre. Foi entre as ruas gaúchas que ouviu as primeiras histórias, acompanhando sua avó, escutava histórias sobre mulher que “que tinham passado”. Foi ali que, ainda sem saber, entendeu que ter passado era ter história — e desejou, um dia, ter a sua própria.
Aos 16 anos, quando já não morava mais em Porto Alegre, aquela menina talentosa saiu de casa rumo à sua vida! À toda arte que esperava por ela! Como em um filme, fugiu com o circo. Trabalhou e trabalhou, e no teatro de pavilhão, itinerante, que cruzava cidades e estradas, a grande Regina se descobriu atriz. Ali, lapidou sua arte no contato direto com quem faz o artista ser ele, o público.
Foi então, que um encontro de gigantes aconteceu. Regina e Curitiba se encontraram, se escolheram e se acolheram. No ano de 1981 a artista chega a capital paranaense, junto daqueles que já era suas fortalezas, Adriano e Mauricio, seus filhos.
Mas essa não foi uma fase rodeada pelo luxo, mas sim pelo suor. Junto do trabalho de atriz exerceu outras funções, como a de faxineira no antigo Teatro da Classe (atual Teatro José Maria Santos).
Conhecida como “a mulher do circo” sua persistência e talento a levaram longe. Nos anos 1990, deu início à sua trajetória solo como produtora com o espetáculo Pluft, o Fantasminha, que marcou o começo da Regina Vogue Produções.
Foi justamente nessa época, que mais um “plot twist” acontecia no roteiro da vida dela. No final de uma releitura teatral, um homem abordou Regina e a cobriu de elogios. Quem era ele? Ninguém mais ninguém menos que Miguel Krigsner, fundador do Boticário. O encontro casual se transformou em uma virada definitiva. Dias depois, Regina recebeu uma ligação. Krigsner a convidou para conversar e, ao chegar, encontrou algo inimaginável: a maquete de um teatro pronta
Apesar do encanto com o projeto, ela ainda tinha uma dúvida: qual seria o nome?
O que Krigsner respondeu rapidamente com “o teu”.
Foi então que o grande Teatro Regina Vogue foi inaugurado em Curitiba, em 2004. Mais do que um espaço físico, o teatro simboliza reconhecimento, perseverança e a materialização de uma vida dedicada à arte.
Hoje, a trajetória de Regina Vogue se confunde com a própria história cultural de Curitiba. A cidade a escolheu tanto quanto ela escolheu a cidade. Aos 80 anos, Regina segue sendo prova viva de que sonhos não envelhecem, apenas se transformam. E que, quando alguém decide não desistir, a arte encontra caminhos inesperados para florescer.

Seu sangue, sua força!
“Sou Regina Vogue, e no dia de Natal beijei meu filho pela última vez.”, este é um trecho de uma publicação de Regina Vogue em seu perfil oficial do Instagram.
Em 25 de dezembro de 2025, Regina perdeu seu filho, Mauricio Vogue. O artista falaceu, mas seus trabalhos jamais vão ser esquecidos. Assim como a mãe, atuou no ambito artístico. Foi diretor, ator e cantor. Nos anos 80 foi vocalista da banda Denorex 80.






