Uma mulher que marcou não soa educação paranaense, como também toda a história em si! Júlia Wanderley, “a primeira professora do Paraná”, foi uma mulher que desafiou regras e deixou sua nome como referência de força, inteligência e garra!

Nascida em Ponta Grossa e criada na capital, Júlia foi a primeira mulher a conquistar o direito de estudar ao lado dos homens na Escola Normal do Paraná. Aos 18 anos, formou-se professora e, em 1892, tornou-se a primeira mulher oficialmente nomeada pelo Poder Executivo do Estado para exercer o magistério. Em um tempo em que mulheres não votavam nem circulavam livremente pela cidade, ela ocupou salas de aula, escreveu, liderou e pensou o futuro.
Como professora e diretora da antiga Escola Tiradentes, Júlia implantou métodos pedagógicos modernos e se destacou pelo pensamento avançado para sua época. Fora da escola, escrevia crônicas e artigos, às vezes assinados com pseudônimos, mostrando que sua voz não cabia apenas entre quatro paredes. Era uma mulher firme, curiosa e profundamente ligada ao conhecimento.
Mas Júlia também ensinou sem palavras. Atenta às transformações de Curitiba no início do século 20, tornou-se uma das maiores colecionadoras de imagens da cidade. Fotografias, cartões-postais e retratos foram cuidadosamente guardados e anotados à mão, com datas, nomes e observações sensíveis sobre cada cena urbana. Assim, ela preservou a memória de uma cidade que crescia junto com seus sonhos.
Hoje, mais de 1.200 imagens da Coleção Júlia Wanderley estão preservadas na Casa da Memória da Fundação Cultural de Curitiba. Um acervo valioso, não apenas para pesquisadores, mas para todos que desejam entender a cidade e reconhecer quem ajudou a construí-la.

Júlia Wanderley morreu em 1918, mas sua presença permanece viva. Em cada fotografia, em cada rua que leva seu nome, em cada mulher que ocupa espaços antes negados, está a marca de alguém que ensinou o Paraná a caminhar para frente — com coragem, sensibilidade e visão de futuro.






