O maior sindicato de maquinistas da Espanha iniciou, nesta segunda-feira (9), uma greve nacional de três dias. A mobilização é liderada pelo sindicato Semaf e ocorre após uma sequência de acidentes ferroviários registrados em janeiro, que resultaram na morte de dezenas de pessoas, incluindo dois maquinistas.
Em menos de 48 horas, três descarrilamentos foram registrados no país. O mais grave aconteceu em 18 de janeiro, na cidade de Adamuz, na província de Córdoba, no sul da Espanha. Um trem de alta velocidade descarrilou e colidiu com outra composição, causando a morte de 46 pessoas. O caso é considerado um dos acidentes ferroviários mais mortais da Europa nos últimos anos.
Um relatório preliminar do órgão espanhol de investigação de acidentes ferroviários (CIAF) apontou que uma fratura nos trilhos pode ter ocorrido antes do descarrilamento em Adamuz.
Horas depois, outro acidente foi registrado em Gelida, perto de Barcelona. Um trem suburbano descarrilou após o desabamento de um muro de contenção sobre os trilhos durante uma forte chuva. O maquinista morreu e quatro passageiros ficaram gravemente feridos.
Segundo o sindicato Semaf, os acidentes refletem uma “deterioração constante da rede ferroviária”. A entidade afirma que já havia alertado a operadora de infraestrutura, a Adif, sobre o desgaste severo dos trilhos, com buracos, irregularidades e falhas nas linhas de energia aérea.
Entre as reivindicações dos grevistas estão a contratação de mais funcionários e o aumento dos investimentos em manutenção das ferrovias.
Na manhã desta segunda-feira, passageiros enfrentaram cancelamentos e atrasos, especialmente na estação central de Barcelona. O Ministério dos Transportes determinou serviços mínimos: 73% para trens de longa distância, 75% para trens suburbanos nos horários de pico e 50% no restante do dia.
O governo espanhol rebate as críticas. O ministro dos Transportes, Óscar Puente, afirmou que não há problemas estruturais nem falta de manutenção na rede ferroviária. Segundo ele, cerca de 700 milhões de euros foram investidos nos últimos anos na modernização da linha Madri–Andaluzia, incluindo o trecho onde ocorreu o acidente mais grave.






