O Governo do Paraná apresentou uma proposta para permitir o repasse direto de recursos do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap Paraná) a empresas de Rio Bonito do Iguaçu, município que sofreu forte destruição após a passagem de um tornado em 2025. A iniciativa faz parte de um conjunto de ações voltadas à recuperação econômica da cidade, que teve grande parte de sua estrutura urbana comprometida.
A mudança no modelo de repasse busca dar mais agilidade ao processo de reconstrução, especialmente no setor produtivo. Até então, os recursos do Fecap eram transferidos majoritariamente aos municípios, que ficavam responsáveis pela distribuição. Com a nova proposta, o objetivo é permitir que empresas diretamente afetadas tenham acesso mais rápido ao apoio financeiro.
Rio Bonito do Iguaçu foi uma das cidades mais impactadas pelo tornado registrado em novembro de 2025, considerado um dos eventos climáticos mais intensos da história recente do Paraná. O fenômeno provocou destruição em larga escala, atingindo residências, comércios e estruturas públicas, além de deixar mortos e centenas de feridos. Estimativas indicam que cerca de 90% da área urbana sofreu algum tipo de dano.
Diante desse cenário, o governo estadual estruturou uma série de medidas emergenciais para atender a população e iniciar a reconstrução. Entre elas, está o uso de recursos do Fecap, que já soma dezenas de milhões de reais destinados à cidade. O fundo é voltado justamente para situações de calamidade, permitindo a liberação rápida de verbas para ações de resposta e recuperação.
A proposta de repasse direto às empresas surge como uma etapa adicional nesse processo. A ideia é garantir que pequenos e médios empreendimentos, responsáveis por parte significativa da economia local, consigam retomar suas atividades com maior rapidez. Isso inclui negócios que tiveram instalações danificadas ou perderam equipamentos durante o desastre.
Além do impacto econômico, a medida também busca preservar empregos e evitar o agravamento da crise social na região. Comércios e prestadores de serviço desempenham papel essencial na dinâmica local, e a paralisação dessas atividades pode prolongar os efeitos do desastre sobre a população.
Outra frente importante envolve o apoio direto às famílias atingidas. Mudanças na legislação estadual já permitiram a liberação de recursos diretamente aos moradores que tiveram suas casas destruídas, com previsão de auxílio financeiro para reconstrução. A expectativa é de que esse modelo mais ágil contribua para acelerar a recuperação das áreas afetadas.
Paralelamente, o Estado também vem investindo na reconstrução de estruturas públicas e no restabelecimento de serviços essenciais. Recursos do Fecap já foram utilizados para aquisição de ônibus escolares e materiais de construção, além de obras em escolas e centros de educação infantil danificados pelo tornado.
O volume total de investimentos destinados à cidade ultrapassa dezenas de milhões de reais, considerando diferentes frentes de atuação. Parte desse montante também conta com apoio federal, ampliando a capacidade de resposta às necessidades locais.
A proposta de repasse direto às empresas ainda depende de regulamentação, que deverá definir critérios para acesso aos recursos, valores e formas de distribuição. A intenção é garantir transparência e eficiência na aplicação do dinheiro público, priorizando os casos mais urgentes.
Especialistas avaliam que medidas desse tipo são fundamentais em contextos de desastre, já que a recuperação econômica costuma ser mais lenta do que a reconstrução física. Ao apoiar diretamente o setor produtivo, o poder público contribui para reativar a circulação de renda e fortalecer a retomada da atividade econômica.
Enquanto isso, a cidade segue em processo de reconstrução. Moradores, empresários e autoridades atuam em conjunto para restabelecer a normalidade, em um esforço que envolve diferentes níveis de governo e a mobilização da sociedade.
A iniciativa do governo paranaense reforça a tendência de adoção de mecanismos mais diretos e ágeis em situações de calamidade. Ao ampliar o alcance do Fecap para além das estruturas públicas, a proposta busca acelerar a recuperação de Rio Bonito do Iguaçu e reduzir os impactos de um dos desastres mais severos já registrados na região.






