A presença feminina na política brasileira nos dias atuais é um com toda certeza, um dos pontos que faz o Brasil se mover! Mas, para que aquelas que hoje utilizam sua voz em nome do povo pudessem estar na posição de “poder”, as “primeiras” precisaram se arriscar.
Em Curitiba, a primeira a assumir esse grande risco e ir para o front, pronta para a guerra da politica, foi ela: Maria Olympia!

Maria Olympia Carneiro Mochel foi uma mulher que abriu caminhos quando quase nenhum estava aberto para as mulheres. Nascida em 1926, registrada em Curitiba e com raízes no litoral paranaense, ela entrou para a história ao se tornar, aos apenas 21 anos, a primeira vereadora de Curitiba — e a única mulher entre vinte homens eleitos em 1947. Em uma época em que a política era um espaço quase exclusivamente masculino, Maria Olympia ousou ocupar a tribuna e fazer sua voz ecoar.
Antes mesmo de assumir o mandato, ela já mostrava que não aceitava injustiças. Trabalhando em uma fábrica de viaturas do Exército, questionou as condições de trabalho e o modelo de produção. O preço foi alto: a demissão. Mas o gesto transformou Maria Olympia em referência entre os trabalhadores e aproximou-a da população mais pobre da cidade, que ela visitava de perto, ouvindo e defendendo suas demandas. Aquela jovem professora transformou indignação em ação política.

Eleita pelo Partido Social Trabalhista, destacou-se na Câmara pela defesa de bairros periféricos, pelo assentamento de famílias carentes e pelo engajamento em causas nacionais, como a campanha “O Petróleo é Nosso”. Em meio a perseguições políticas, viu-se obrigada a deixar Curitiba ao lado do marido, Joaquim Mochel, líder político e engenheiro agrônomo. Mas, mais uma vez, ela não recuou: recomeçou.
No Maranhão, Maria Olympia decidiu enfrentar outro desafio gigantesco. Ingressou, em 1957, na primeira turma de Medicina da Universidade Federal do Maranhão e escolheu a Psiquiatria como especialidade, tornando-se, ao que se sabe, a primeira psiquiatra em atividade em São Luís. Mulher, mãe de cinco filhos, médica e pioneira — ela seguia rompendo barreiras onde quer que estivesse.
Sua trajetória inspirou também dentro de casa: três filhos seguiram a Medicina, mantendo viva a vocação herdada do avô e da mãe. Maria Olympia faleceu em 2008, deixando um legado que vai muito além de cargos ou títulos. Sua história é a prova de que coragem, consciência social e compromisso com o coletivo podem transformar realidades.
Maria Olympia Carneiro Mochel inspira porque nunca aceitou o silêncio imposto às mulheres. Ela mostrou que ocupar espaços, questionar injustiças e recomeçar quantas vezes for preciso também é uma forma de resistência. Uma mulher que fez da própria vida um exemplo — e que segue inspirando outras mulheres a acreditarem que pertencem a todos os lugares.






