O governo do Paraná avançou com o processo de privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar), mesmo sem consenso no Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR). A gestão estadual chegou a contratar a B3, responsável por leilões, para conduzir a venda da empresa, embora os valores do contrato não tenham sido divulgados.
A decisão do governo se baseia em uma autorização monocrática do conselheiro Durval Amaral. No entanto, outro conselheiro do TCE, Fábio Camargo, determinou a suspensão da privatização, o que deu início a uma disputa interna marcada por decisões conflitantes. O caso ainda deve ser analisado pelo plenário do Tribunal, mas não há data definida.
A Celepar, criada em 1964, foi a primeira empresa pública estadual de tecnologia da informação do Brasil. Ela é responsável pela gestão de dados sensíveis da população paranaense, como informações da área da saúde, educação, segurança pública, trânsito e arrecadação de impostos, além de prestar serviços a mais de 40 órgãos estaduais.
Em dezembro, o plenário do TCE-PR ratificou uma medida cautelar que suspende o processo de privatização. A decisão aponta falhas como a falta de estudos para reduzir riscos, ausência de política de governança em tecnologia da informação, dependência tecnológica do Estado e inexistência de estrutura adequada para absorver os serviços atualmente prestados pela Celepar.
A Corte também destacou que o governo não notificou previamente a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e não apresentou justificativas técnicas e jurídicas suficientes para a venda da empresa. Segundo o TCE, essas fragilidades podem comprometer a continuidade de políticas públicas essenciais.
Apesar da suspensão, o governo afirma que a privatização segue como prioridade e que a intenção é concluir o processo antes do fim do mandato do governador Ratinho Junior, que é cotado como possível candidato à Presidência da República. A venda, no entanto, segue indefinida e cercada de entraves jurídicos e administrativos.






