José Antonio Kast, político de direita no Chile, chegou ao segundo turno das eleições mesmo depois de, no passado, poucos acreditarem que ele realmente disputaria a Presidência. Amigos próximos contam que, anos atrás, era difícil imaginar Kast como candidato, e o próprio político já ouviu que “estava louco” ao falar sobre essa possibilidade.

No primeiro turno, realizado no domingo (16), Kast ficou em segundo lugar com cerca de 24% dos votos. A liderança foi de Jeannette Jara, candidata do Partido Comunista e apoiada pelo atual presidente Gabriel Boric, que recebeu quase 27%. Como nenhum candidato superou os 50%, os dois vão disputar o segundo turno em 14 de dezembro.
A votação também mostrou um cenário fragmentado entre partidos de direita e esquerda. Franco Parisi recebeu 19,7% dos votos, Johannes Kaiser teve 13,9% e Evelyn Matthei ficou com 12,4%. Kaiser já anunciou apoio a Kast.
Jeannette Jara, de 51 anos, é a primeira candidata comunista à Presidência desde o retorno da democracia no Chile. Com trajetória ligada a movimentos estudantis e sociais, ela já foi ministra do Trabalho e implementou medidas como a redução da jornada de trabalho e o aumento do salário mínimo. Jara defende a continuidade e o fortalecimento das políticas sociais, além de mais segurança pública sem militarização.

Kast, de 59 anos, representa a ala mais conservadora da direita. Ele faz críticas ao governo atual, defende políticas mais rígidas de segurança e tem forte discurso contra a imigração irregular. Nos últimos anos, se tornou uma das principais figuras da oposição chilena.
A segurança pública domina a disputa eleitoral. O aumento da criminalidade e a preocupação com a imigração levaram o tema ao centro do debate, influenciando as campanhas de ambos os candidatos. Mesmo liderando o primeiro turno, pesquisas anteriores indicavam que Jara poderia ter dificuldade no segundo turno contra Kast.
Uma pesquisa da AtlasIntel, feita antes do período proibido pela lei eleitoral chilena, apontava Kast com vantagem de 10 pontos sobre Jara em um eventual segundo turno. Agora, os chilenos voltarão às urnas em 14 de dezembro para decidir entre dois projetos políticos opostos, em uma das eleições mais polarizadas dos últimos anos no país.






