O Paraná amplia triagem neonatal com a inclusão progressiva do rastreamento de até 51 doenças em recém-nascidos. A medida, divulgada nesta terça-feira (8), integra uma estratégia de fortalecimento da saúde materno-infantil e prevê investimento de R$ 67,3 milhões ao longo de quatro anos.
Atualmente, o programa estadual contempla sete doenças, mas a proposta é ampliar esse número de forma escalonada ainda a partir do primeiro semestre de 2026. O objetivo é garantir diagnóstico precoce e tratamento imediato, reduzindo riscos de complicações e melhorando a qualidade de vida das crianças.
Os recursos serão repassados anualmente, com parcelas trimestrais para assegurar a implementação gradual do serviço em todo o estado. A ampliação vai atender recém-nascidos tanto da rede pública quanto da rede privada, fortalecendo a cobertura do sistema de saúde.
A triagem neonatal é composta por um conjunto de exames realizados nos primeiros dias de vida, incluindo o teste do pezinho, do olhinho, da orelhinha e do coraçãozinho. Esses procedimentos permitem identificar precocemente doenças metabólicas, genéticas, auditivas, visuais e cardíacas, muitas vezes ainda sem sintomas aparentes.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a ampliação segue as diretrizes da Lei Federal nº 14.154/2021, que prevê a expansão do número de doenças rastreadas no Brasil. Mesmo com a regulamentação nacional em andamento, o Paraná antecipou a implementação por meio de parceria com a Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional (Fepe), responsável pela execução da triagem no estado.
O avanço também acompanha o crescimento da demanda por exames neonatais. Dados oficiais indicam aumento no número de testes realizados nos últimos anos, passando de mais de 91 mil em 2023 para quase 95 mil em 2025. Apenas em 2026, já foram contabilizados mais de 20 mil exames, segundo registros parciais.
Para garantir maior eficiência, o estado conta com um sistema próprio de monitoramento da triagem neonatal, considerado pioneiro no país. A ferramenta permite o acompanhamento em tempo real dos exames, contribuindo para decisões mais rápidas e maior precisão na gestão dos casos identificados.
Especialistas destacam que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar sequelas graves. Muitas doenças detectadas na triagem neonatal não apresentam sintomas ao nascimento, mas podem causar danos irreversíveis se não forem tratadas rapidamente.
Com a ampliação, o Paraná se posiciona entre os estados mais avançados na implementação de políticas públicas voltadas à primeira infância. A expectativa é que a medida contribua para a redução da mortalidade infantil e para o desenvolvimento saudável das crianças desde os primeiros dias de vida.
A iniciativa também reforça o papel da triagem neonatal como uma das principais estratégias preventivas da saúde pública, ao permitir intervenções precoces e acompanhamento contínuo dos pacientes diagnosticados.
Ao antecipar a ampliação prevista em lei, o estado busca consolidar um modelo mais abrangente e eficiente de cuidado neonatal, alinhado às demandas atuais da saúde e à evolução tecnológica dos exames laboratoriais.






