A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação, um projeto que propõe alterar o nome da Rua Peixoto Gomide, nos Jardins, para Rua Sophia Gomide. A mudança ainda depende de nova votação e da sanção do prefeito para entrar em vigor.
A proposta pretende corrigir uma homenagem considerada controversa. A via recebeu, em 1914, o nome de Francisco de Assis Peixoto Gomide, político paulista que matou a própria filha, Sophia, em 1906.
Sophia Gomide tinha 22 anos e foi assassinada dentro da casa da família, poucos dias antes de seu casamento. De acordo com registros históricos, ela estava sentada quando o pai se aproximou e atirou contra sua cabeça.
Após o crime, o próprio agressor tirou a própria vida. O episódio gerou comoção na época, mas não impediu que ele fosse homenageado posteriormente com o nome de uma das ruas mais conhecidas da capital paulista.
Ao longo dos anos, a história de Sophia permaneceu praticamente apagada da memória oficial. Enquanto o pai recebeu reconhecimento público, a vítima não teve qualquer homenagem institucional, mesmo diante da gravidade do caso.
O projeto de lei é defendido por parlamentares como uma forma de reparação simbólica. A iniciativa também integra um movimento mais amplo que questiona homenagens a figuras históricas envolvidas em violência contra mulheres.
Além disso, especialistas apontam que a revisão de nomes de ruas pode ajudar a resgatar histórias esquecidas e promover debates sobre desigualdade de gênero e memória urbana. Casos semelhantes vêm sendo discutidos em outras cidades do país.
Se aprovado definitivamente, o novo nome representará uma mudança significativa no espaço público, transferindo o reconhecimento do agressor para a vítima e reforçando a importância de dar visibilidade a histórias marcadas pela violência de gênero.






