A queda da patente da semaglutida — princípio ativo do Ozempic — marca um ponto de virada no mercado farmacêutico brasileiro. A partir desta sexta-feira (20), outras empresas passam a ter autorização legal para desenvolver versões do medicamento, amplamente utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e também associado à perda de peso.
Apesar da expectativa imediata por preços mais baixos, especialistas apontam que o impacto no bolso do consumidor não será automático. Isso porque o fim da patente não significa que produtos concorrentes estarão disponíveis nas farmácias no curto prazo. O processo depende de aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de etapas industriais e logísticas.
Atualmente, ao menos 14 pedidos de registro de medicamentos à base de semaglutida estão em análise no Brasil. A liberação tende a ocorrer de forma gradual, com número limitado de aprovações por semestre, o que pode estender a chegada de versões similares até 2028.
Outro fator que contribui para a demora é a complexidade da produção. Diferentemente de medicamentos simples, a semaglutida exige um processo mais sofisticado, o que pode levar meses entre a autorização e a efetiva distribuição. Estimativas do setor indicam que, mesmo após aprovação, o lançamento pode levar cerca de 90 dias.
No cenário atual, o Ozempic é vendido por valores que podem ultrapassar R$ 1 mil por mês no Brasil. A expectativa é que a entrada de concorrentes reduza os preços de forma progressiva — com quedas iniciais de até 30% e possibilidade de redução de até 50% ao longo dos próximos anos.
Ainda assim, a promessa de versões mais acessíveis movimenta o mercado. O segmento de medicamentos à base de GLP-1 já gira em torno de R$ 10 bilhões anuais no país e pode dobrar de tamanho com a ampliação da concorrência. Empresas nacionais e internacionais já se posicionam para disputar esse espaço, considerado um dos mais promissores da indústria farmacêutica.
Mesmo com o fim da patente, há disputas judiciais em andamento. A farmacêutica responsável pelo Ozempic tentou prorrogar a exclusividade, mas sofreu derrotas iniciais e ainda avalia novos recursos. O desfecho dessas ações pode influenciar o ritmo de entrada de concorrentes no mercado.
Além disso, os primeiros produtos que devem chegar não serão necessariamente genéricos clássicos, mas sim versões similares — o que também pode impactar o nível de concorrência e os preços praticados inicialmente.
Na prática, a queda da patente inaugura uma nova fase para o acesso a tratamentos de diabetes e obesidade no Brasil. No entanto, especialistas alertam que a popularização do medicamento dependerá não apenas da concorrência, mas também da capacidade produtiva das empresas e das decisões regulatórias ao longo dos próximos anos.






